Histórico
 
Belo Horizonte é uma cidade que nasceu sob o símbolo da modernidade, com prédios construídos obedecendo aos mais modernos padrões da engenharia e seguindo os principais estilos arquitetônicos da época.

Ao lado desta aparente modernidade, surgia também uma cidade com tendências a internacionalização, já que, desde o inicio de sua construção, a cidade de Belo Horizonte se transformou em um farol para uma grande massa de imigrantes que chegavam ao Brasil e escolhiam Minas Gerais para se fixarem.

Os motivos para esta atração são os mais variados, seja pela sua posição geográfica, que lhe garantia um clima ameno, seja pela beleza da paisagem, cujas montanhas lembravam terras européias, seja mesmo pela promessa de crescimento e enriquecimento rápido que a cidade emanava, já que, pela primeira vez no Brasil, se construía uma cidade para ser capital de um dos maiores estados da federação.

Os imigrantes, vindos da Itália, de Portugal, da Espanha, da França, do Líbano e da Síria, representam a primeira leva de estrangeiros que procurou se fixar na nova cidade. Com o tempo vieram outros, alguns trabalhando para as grandes empresas de mineração, como os ingleses, ou mesmo para as siderúrgicas, como os alemães, belgas e norte-americanos. Mas também havia aqueles que vieram para trabalhar em outros estados, mas que acabaram por escolher Belo Horizonte como o seu lar, entre eles podemos citar os japoneses e os eslavos.

Este fluxo de mão de obra estrangeira aumentou a importância da cidade no cenário das relações internacionais mantidas pelo Governo Brasileiro e obrigou a implantação de representações diplomáticas estrangeiras na cidade.

As primeiras representações foram mantidas informalmente, utilizando-se de membros das próprias comunidades que residiam em Belo Horizonte, ou mesmo por algum ministro plenipotenciário que se baseava na Capital Federal.

Os acontecimentos da década de 40, entre eles a Segunda Guerra Mundial e a criação da ONU, acabaram por demonstrar a importância de maiores entendimentos internacionais, o que provocou uma verdadeira corrida diplomática entre as nações. Desta forma houve uma aceleração na implantação de representações estrangeiras em Belo Horizonte.

A década de 50 chegou a Minas Gerais reafirmando seu caráter internacional, com a realização de alguns jogos da Copa do Mundo, no recém inaugurado Estádio Municipal, localizado na região do Horto Florestal. Nesta mesma época foi criado o Corpo Consular, que veio para responder as demandas dos estrangeiros residentes em Minas Gerais.

Em dezembro de 1952, uma comissão formada pelos cônsules da Bélgica, Jean Tjiry; da Grã Bretanha, Harold V. Walter; da Suíça, Richard Wangle; da Síria , Antônio cadar e da Holanda , Jan Bovendorp, reuniu-se na sede do Consulado Italiano, para tratar da fundação do Corpo Consular e traçar planos e normas de funcionamento. Naquela reunião foi sugerida a formação de um conselho diretor com o objetivo de gerir as atividades desta agremiação consulare da capital de Minas. Colocado o assunto em pauta e discussão, por votação unânime dos presentes ficou decidido eleger a citada comissão para dirigir o conselho diretor, até 31 de dezembro de 1953, quando, em assembléia geral, seria constituída a primeira diretoria do conselho, eleita por voto direto.

A primeira Assembléia geral convocada pelo Corpo Consular foi em 02 de janeiro de 1954, presidida pelo Cônsul Jean Thiry, da Bélgica. Na ocasião registrou-se, ainda, a presença dos Cônsules: José Quiroga Caballa, da Espanha; Robert Levy, da França; harold V. Walter , da Grã Bretnaha; Luigi Bolla, da Itália; marcial Zavalla, do Paraguai; Antônio Cadar , da Síria; Jan Bovendorp, da Holanda; hans Peter Kieruf, da Suécia; Richard Wengle, da Suíça; Alfred Bastos, do Uruguai e Pedro Paulo Penido, que elgeram a primeira diretoria do Corpo Consular, para um período de 2 anos assim constituída: Presidente, Cônsul Jan Bovendorp, da Holanda; Vice Presidente, Cônsul Pedro paulo Penido, do Chile; Secretário, Cônsul Alfredo Bastos, do uruguai; Tesoureiro, Cônsul Robert levy, da França; e vogal, Cônsul Antônio Cadar da Síria.

O Corpo Consular foi criado com o principal intuito da reunião dos diversos Consulados acreditados junto a determinado governo Estadual. O Corpo Consular trataria ,a partir daí, das ações pertinentes aos seus filiados, promoção de encontros, festividades de datas nacionais, zelo pelo cumprimento das leis do país receptor, entrosamento com o governo do estado e respectivas autoridades locais para que seus filiados pudessem cumprir fielmente suas atividades. Os Consulados poderiam ser dirigidos por funcionários consulares de carreira ou honorários.

O Corpo Consular e cada Consulado individualmente zelam pelo cumprimento das leis do Estado aonde se encontram instalados e os princípios do Direito Internacional relacionados com o comércio terrestre, marítimo e aéreo. Mantém uma conexão constante e direta com seus respectivos países de origem. Seguem as regras , tratados e acordos internacionais existentes entre os países, visando sempre o princípio da reciprocidade.

Corria o ano de 1953, a cidade vivia um novo processo de crescimento, com a multiplicação de obras públicas, implementadas graças ao empreendendorismo do governador Juscelino. Ao mesmo tempo, a industria têxtil se expandia e dava origem a novas vilas operárias, ocupando grandes áreas da capital mineira.

A parceria de Juscelino com Niemayer acabou por se repetir e resultou em novas obras que embelezavam a cidade. Uma cidade que se expandia em todas as direções. Para o norte incorporava de vez a lagoa da Pampulha, transformada em centro recreativo das classes mais abastadas e local de passeio nos fins de semana; no leste era instalando o seu pólo industrial, afastando as indústrias das áreas mais urbanizadas e direcionando o crescimento urbano, para o sul e o oeste a cidade ia rompendo, gradativamente, os limites impostos pela avenida do Contorno e, com isto, ia assumindo formas as mais variadas.

Não restam dúvidas, no entanto, que a criação do Corpo Consular foi um dos acontecimentos mais importantes na historia de Belo Horizonte, marcando, de forma ímpar, o governo de Juscelino Kubistheck e a administração de Américo René Gianetti.

O novo Corpo Consular ratificava a importância da capital de Minas dentro do cenário político nacional, abrindo as portas para uma série de novos empreendimentos e colocando Belo Horizonte no restrito mapa diplomático brasileiro. Imediatamente entidades ligadas às comunidades estrangeiras, tais como o Circolo Italiano, a Comunidade Luso Brasileira, entre outras, enfileiraram-se com suas representações diplomáticas, abrindo novos espaços para a expressão de suas identidades culturais.

De lá para cá a presença de representações estrangeiras em Belo Horizonte tem crescido constantemente, sendo que, em alguns casos, estas representações acabam tendo jurisdição até mesmo nos Estados vizinhos.

Este crescimento parece obedecer a uma exigência da própria cidade de Belo Horizonte, que tem um destacado programa de internacionalização. Fator que tem possibilitado a esta metrópole, ostentar o status de cidade-irmã de algumas das maiores metrópoles do mundo, resultando em um intercâmbio intenso de tecnologias, solidariedade e políticas públicas.

Sua atuação, sempre em consonância com as necessidades da sociedade mineira, ajudou a estreitar ainda mais os laços comerciais, culturais e de amizade entre seus paises e Minas Gerais. Abrindo as portas para uma realidade de compreensão mútua e para a definição de vários planos de ação conjunta.

Hoje o Corpo Consular de Belo Horizonte, comemorando os seus cinqüenta e tres anos de existência, se orgulha em reunir representantes das mais variadas nações, abrangendo todos os continentes.

Atualmente a Associação dos Membros do Corpo Consular no Estado de Minas Gerais conta com 33 Consulados e 6 Ex Consulados como membros deste Corpo Consular.


 

 

Associação dos Membros do Corpo Consular no Estado de Minas Gerais
(31) 3342-1510